quinta-feira, 18 de setembro de 2008
Às vezes me sinto bem em só desejar. Pois nada sei do que muitas vezes desejo. E a fome do saber me faz sonhar; e eu já disse que não é bom sonhar sozinha.
Mas há um "que" de expectativa dentro de mim - só não sei em relação à quem. Só a mim.
E de súbito me vejo em você. Como se eu fosse uma parte de ti. E meus desejos são teus, e não há mais nada a fazer a não ser realizá-los.
Depois me visto.
E novamente o vento é frio em minha janela. Puxo o edredon, e a única coisa que cabe em minha cama é meu corpo encolhido.
segunda-feira, 8 de setembro de 2008
E de fato não degustamos o vinho em cima da mesa da cozinha. Não admiramos o quadro na sala. Não lavamos os pés na pequena fonte do jardim. Muito menos aproveitamos a cama king size.
Nunca mais sonhe aquilo que não se realizará. O tempo desperdiçado muda o rumo, e não há mais ninguém ao teu lado.
É impossível realizar um sonho construído sozinha. E se ainda quer manter a esperança - não construa mais.
terça-feira, 26 de agosto de 2008
O Inverno acabou sendo literalmente gelado, e todas as expressões usadas na estação me serviram. Não só fez frio aí fora – fez muito mais frio aqui dentro.
E o frio me fez fria. E quando pego a caneta e o papel, transmito a conseqüência em minhas palavras frias.
E o mais triste é que não foi a chuva, ou a tempestade, ou o vendaval que a mãe Natureza trouxe. Foi a chuva de acontecimentos, a tempestade de hipocrisia, o vendaval de egoísmo alheio.
Fui um pouco disso? Ou isso foi um pouco de mim?
Queria que a verdade viesse após o inverno. Queria que os pássaros trouxessem amor pelos céus limpos da primavera. Queria que das árvores brotassem frutos de compreensão, flores de carinho. Queria que isso aqui dentro derretesse, e em meus olhos brilhasse o sol da manhã. Que meu sorriso refletisse as estrelas de uma noite quente.
Estou ansiosa pela mudança de estação. Sonhando com outras mudanças junto dela. E assim, no próximo inverno, eu estarei muito bem aquecida. Mesmo sem cobertor, porque não mais precisarei.
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
Preciso de um tempo só.
Porque cansei das futilidades e da incompreensão alheia para o momento que passo. Não irão me acrescentar no stress acumulado que vivo. E o que vejo, agora, é que se não há o comprometimento naquilo que te sustenta de alguma forma, não há também o reconhecimento.
Então já não quero ouvir o que não devo aqui. Não quero ver o que não preciso aqui.
Organizo meus pensamentos aos poucos, e isso traz uma certa instabilidade emocional.
Procuro o equilíbrio, pretendo encontrar. E vou.
Não tente me entender nas 8 horas de trabalho. Espere lá fora pra perguntar o que acontece e como que faz. E tente compreender.
quarta-feira, 13 de agosto de 2008
Então me restam os bons momentos, onde houveram os bons instantes. Todos os instantes possíveis, os meus, os seus. Apenas no passado, livre da repetição.
Os instantes nunca se repetem. Só em minha lembrança. Minha lembrança eterna.
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
Por ora ainda não tenho conclusões sobre muita coisa. Mas me sinto mais segura para encontrar – me encontrar.
A fase do auto-conhecimento é um pouco dolorosa, confusa. Não tem como fugir das verdades que você encontra pelo caminho. As escolhas não são fáceis, e é impossível ignorá-las.
Se eu paro, nada acontece. Se espero, nada acontece. Como agir, como?
Não poderia me cegar aos acontecimentos. Já basta estar apática ao próximo. Porque não ter a expectativa em relação ao outro, te deixa mais segura em relação a você
Mas mesmo assim, por mais que aceite, entenda o que acontece alheio a mim, não há como não sentir. Controlo minha emoção da melhor maneira possível. Isso me faz continuar.
Há dias felizes, há dias tristes. Há dias de raiva, que chovem mais que o normal. E tudo passa e vai embora com o vento.
Quando me vejo em meio ao vendaval, sinto medo, pavor. E quando ele passa, leva de mim tudo o que precisava. Me entristece, me alegra – me alivia sempre.
Eu não me escondo mais, e nem dramatizo meus momentos reflexivos. Não tento explicar o que realmente passa comigo, porque não há o que explicar.
Me sinto bem sozinha, por mais que precise de um abraço, um colo, só pra dizer: "tudo vai ficar bem". Talvez um estímulo sem ser o meu. Mas não sempre. Quase nunca, na verdade. Só quando vejo que muitas vezes não conheço a mim mesma, e um apoio me faz bem.
Mas nunca, nunca aceitarei que me digam o que fazer. Tudo eu aprendi sozinha, e sempre será assim.
Não tenho tantas frustrações como antes, e isso é um grande passo pra acreditar mais em mim. No momento é só em mim que acredito. Mas não custa me importar com aquele que me faz sorrir. E não me custa fazer sorrir aquele com quem me importo.
segunda-feira, 28 de julho de 2008
Eu te odeio.
Enquanto tantos te idolatram, eu te repudio.
Você fez de mim outra pessoa. Mudou em mim coisas essenciais. Me fez querer mais de você. Me consumiu.
Eu não fui eu enquanto você estava presente. Eu vivi em função de você.
Não me conformo quão burra fui, deixando você fazer de mim o que quis. Deixando você virar uma necessidade em minha vida.
E agora eu enxergo com os olhos que você tentou cegar, o quanto você me faz mal. Agora respiro o ar puro que você tentou sujar.
Talvez tenha sido tarde para eu perceber o quanto dei de mim a você. Mas foi o tempo suficiente para eu te abandonar.
Quase me perdi tentando ver sentido em você. Quando ficamos juntos, tudo parecia maravilhoso. Mas depois você me jogava no chão, aos prantos. Afetando meu físico, meu emocional. E depois de você, eu já nem sabia o que pensar. Então perdi muito mais além de mim mesma.
Te deixo. Como deixei parte de mim com você por um bom tempo. Mas agora essa parte suja ficou no passado, com você.
E o que me resta de você, é a lembrança de um rosto deformado. De um coração machucado, quase saindo pela boca. De um pavor inexplicável – o medo que você me proporcionou no fim.
E agora você vai continuar fazendo com outros exatamente o que fez comigo. Eu não posso fazer nada, talvez percebam também que você não presta.
E agora seu cheiro me enoja, e me sufoca pensar em você perto de mim.
Tirar você de minha vida é a minha maior vitória.